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Como a Lava Jato escondeu do governo federal visita do FBI e procuradores americanos
- Emissor
- Agência Pública / The Intercept Brasil · Natalia Viana, Andrew Fishman e Maryam Saleh
- Data
- 12 de março de 2020
- Tipo
- Reportagem
- Acesso
- íntegra examinada · consultado em 25/10/2026
- Original
- apublica.org/2020/03/como-a-lava-jato-escondeu-do-governo-federal-visita-do-fbi-
Declarações registradas nesta fonte
- “Tranquilo, obrigado, embora eu não goste da ideia do executivo olhando nossos pedidos e sabendo o que há. Ainda bem que …”
- “eles consultem o DOJ, porque eles pediram que mantenhamos confidencial”
- “Caso Vc entenda que deve abrir, posso te mandar a lista, mas sugiro reflexão, porque isso pode gerar ruídos com os ameri…”
- “Eu tiraria a lista anexa e diria para consultarem os americanos, para evitar ruídos e porque me parece uma ‘cobrança ind…”
- “Nós estamos com pressa, porque o DOJ já veio e teve encontro formal com os advogados dos colaboradores, e a partir daí o…”
O que extraímos deste documento (12)
A Agência Pública/Intercept afirma que a primeira visita oficial da Lava Jato aos Estados Unidos ocorreu em 9 e 10/02/2015, com os procuradores Carlos Fernando dos Santos Lima, Marcelo Miller e Deltan Dallagnol, que acompanhavam o procurador-geral da República Rodrigo Janot e 'o próprio Aras' (pelo contexto, Vladimir Aras); a reportagem diz que a visita chegou a ser noticiada na imprensa brasileira. Segundo a reportagem, houve reuniões com o DOJ, a SEC, a Receita Federal americana (IRS), o FBI e o Departamento de Segurança Interna (DHS).
Fonte: Como a Lava Jato escondeu do governo federal visita do FBI e procuradores americanos — Agência Pública / The Intercept Brasil, 12/03/2020 · seção 'Apresentando os delatores para o DOJ', parágrafos 'Um marco no relacionamento...' e seguintes · abrir original ↗
Reportagem · íntegra examinada · consultada em 25/10/2026
Limitações: A reportagem grafa só 'Aras'; pelo contexto é Vladimir Aras, da Secretaria de Cooperação Internacional da PGR. A pauta dizia 'Dallagnol com Janot, Vladimir Aras, Carlos Fernando e Miller' (confere), mas a fonte descreve Dallagnol, Carlos Fernando e Miller como acompanhantes de Janot e Aras. Portaria ou relatório oficial da viagem não foi aberto.
Segundo a Agência Pública, um relatório feito pelos procuradores de Curitiba e compartilhado nos chats listava três objetivos da missão de fevereiro de 2015: agilizar o intercâmbio de informações nos casos da Lava Jato; obter prioridade de execução nos pedidos de cooperação internacional já enviados; e criar um ambiente favorável à colaboração de investigados, com compromisso das autoridades americanas de não perseguir quem firmou acordos com o MPF. O relatório, ainda segundo a reportagem, concluiu que os dois primeiros foram atingidos e o terceiro ainda estava em análise nos EUA. A reportagem acrescenta que 'todos os sinais indicam' que Dallagnol nunca obteve a concessão, e que advogados de defesa descrevem os acordos com o DOJ como decididos caso a caso.
Trecho: “criar e manter um ambiente favorável à colaboração de investigados”
Fonte: Como a Lava Jato escondeu do governo federal visita do FBI e procuradores americanos — Agência Pública / The Intercept Brasil, 12/03/2020 · mesmo bloco, parágrafos seguintes a 'Um marco no relacionamento' · abrir original ↗
Reportagem · íntegra examinada · consultada em 25/10/2026
Limitações: Relatório não examinado; descrito pela reportagem. A avaliação de que o terceiro objetivo não foi obtido é inferência da reportagem.
Em chat de 13/02/2015, segundo a Pública, Dallagnol respondeu a Vladimir Aras, que perguntara se estava tudo tranquilo com um assessor do DRCI (Ministério da Justiça), que estava tranquilo, mas não gostava da ideia de o Executivo ver os pedidos da força-tarefa e saber o que havia neles. A reportagem lê a mensagem como desconfiança em relação ao DRCI e ao governo Dilma.
Fonte: Como a Lava Jato escondeu do governo federal visita do FBI e procuradores americanos — Agência Pública / The Intercept Brasil, 12/03/2020 · bloco após 'Os contatos geraram questionamentos dentro da PGR' · abrir original ↗
Reportagem · íntegra examinada · consultada em 25/10/2026
Limitações: A leitura política é da reportagem. Mensagem não periciada nem confirmada em fonte oficial nesta versão do acervo.
A Agência Pública/Intercept relata que, a partir de terça-feira 6/10/2015, uma delegação de pelo menos 17 americanos, entre procuradores ligados ao DOJ e agentes do FBI, esteve na sede do MPF em Curitiba por quatro dias: recebeu explicações sobre delatores e reuniu-se com advogados de 16 colaboradores que haviam firmado acordos entre fins de 2014 e meados de 2015. Segundo a reportagem, Dallagnol recebeu os americanos na terça (dia 6) com uma apresentação geral sobre as investigações, de uma hora, e depois cada procurador expôs seus delatores; Paulo Galvão tratou de Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa e Augusto Mendonça Neto, e Roberson Pozzobon e Antonio Carlos Welter de Pedro Barusco. A reportagem diz que a missão deixou Curitiba em 9/10/2015.
Fonte: Como a Lava Jato escondeu do governo federal visita do FBI e procuradores americanos — Agência Pública / The Intercept Brasil, 12/03/2020 · abertura e seção 'Apresentando os delatores para o DOJ' · abrir original ↗
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Limitações: Dallagnol é nomeado pela fonte como quem recebeu os americanos e fez a apresentação geral. O texto abre falando do dia 5/10 (chegada de Dallagnol a Curitiba), mas situa a chegada dos americanos na terça-feira (6/10); a Pública de 2/12/2025 confirma 6–9/10/2015. A nota da força-tarefa e a pergunta da Pública falam em '6 e 9 de outubro'. Registros de visto do Itamaraty (3–10/10) são outra fonte (fonte).
A Pública descreve a delegação como 'liderada' por Patrick Stokes, então chefe da seção FCPA do DOJ (que deixou o cargo em 2016 e é hoje sócio da Gibson, Dunn & Crutcher, escritório que atende a Petrobras nos EUA, segundo a reportagem). Cita também, do DOJ, os procuradores Christopher Cestaro (depois chefe da FCPA) e Lorinda Laryea; do FBI, George 'Ren' McEachern (chefe da Unidade de Corrupção Internacional em Washington até dezembro de 2017) e a agente Leslie Backschies (supervisora na Divisão de Operações Internacionais). Documentos do Itamaraty, segundo a reportagem, mostram que o DOJ pediu vistos para os procuradores Derek Ettinger e Lorinda Laryea para reuniões em Curitiba com autoridades brasileiras e advogados de delatores, a fim de levantar evidências adicionais. Segundo a reportagem, Mark Schweers (FBI) já estava na comitiva de outubro de 2015.
Fonte: Como a Lava Jato escondeu do governo federal visita do FBI e procuradores americanos — Agência Pública / The Intercept Brasil, 12/03/2020 · seção 'Apresentando os delatores para o DOJ' e trecho 'Escondendo os americanos' · abrir original ↗
Reportagem · íntegra examinada · consultada em 25/10/2026
Limitações: Lista parcial: a reportagem fala em 'pelo menos 17' e nomeia só alguns. Papéis conforme a reportagem; não verificados em fonte oficial americana. Derek Ettinger aparece só no documento do Itamaraty descrito, não como integrante nomeado da delegação. A Pública de 2/12/2025 acrescenta que Mark Schweers e Jeff Pfeiffer (FBI) obtiveram visto para Curitiba entre 3 e 10/10 (fonte). A frase sobre Schweers 'já acompanhara a comitiva de outubro de 2015' aparece na seção sobre julho de 2016.
Segundo a Pública, no fim de 6/10/2015 (23h16) Vladimir Aras avisou Dallagnol no Telegram ('MSG DO MJ') de que o Ministério da Justiça soubera da visita pelo Itamaraty quando os americanos já estavam em Curitiba. A reportagem reproduz e-mail do então chefe do DRCI, Ricardo Saadi, com seis perguntas ao MPF sobre a possível vinda de autoridades americanas. O então ministro José Eduardo Cardozo disse à reportagem que não tinha ciência da visita, que a PF o avisou, e que Janot lhe respondeu que era atividade 'exclusivamente não funcional', de finalidade acadêmica.
Fonte: Como a Lava Jato escondeu do governo federal visita do FBI e procuradores americanos — Agência Pública / The Intercept Brasil, 12/03/2020 · abertura e seção 'Escondendo os americanos' · abrir original ↗
Reportagem · íntegra examinada · consultada em 25/10/2026
Limitações: E-mail do DRCI e chats não examinados. A fala sobre Janot é relato de Cardozo à reportagem; não há resposta de Janot nessa matéria. A pergunta da Pública à força-tarefa data o questionamento do DRCI como de '7 de abril', erro evidente para outubro.
Segundo a Pública, depois da meia-noite de 7/10/2015 Dallagnol respondeu a Aras sugerindo que o Ministério da Justiça consultasse o DOJ porque os americanos pediram confidencialidade, e sugeriu refletir antes de entregar a lista dos americanos, que poderia gerar 'ruídos'; às 20h do mesmo dia, ao ler rascunho de e-mail de Aras, pediu de novo para retirar a lista anexa, dizendo que os americanos poderiam usar a informação contra a força-tarefa pelo tamanho da delegação e que bastava informar os órgãos de origem, 'pq não inclui SEC'. Aras argumentou que não via problema em enviar os nomes, mas cedeu. A reportagem diz que, no e-mail ao DRCI, a visita foi descrita como 'reuniões de trabalho' e não 'diligências de investigação'.
Fonte: Como a Lava Jato escondeu do governo federal visita do FBI e procuradores americanos — Agência Pública / The Intercept Brasil, 12/03/2020 · seção 'Escondendo os americanos' · abrir original ↗
Reportagem · íntegra examinada · consultada em 25/10/2026
Limitações: Mensagens atribuídas por reportagem; sem perícia informada na matéria. O texto final do e-mail ao DRCI não foi examinado. O horário '20h' é 'às 8 da noite' na fonte.
A reportagem cita mensagem atribuída a Patrick Stokes (DOJ) ao então procurador Marcelo Miller, sobre a viagem a Curitiba: a assessoria de imprensa do DOJ apenas confirmaria o fato sem comentar a investigação nem a presença no Brasil, e o FBI confirmaria sua presença sem comentar a razão. Segundo a reportagem, Dallagnol mandou a assessoria de imprensa do MPF seguir a orientação de sigilo dos americanos.
Fonte: Como a Lava Jato escondeu do governo federal visita do FBI e procuradores americanos — Agência Pública / The Intercept Brasil, 12/03/2020 · seção 'Escondendo os americanos' · abrir original ↗
Reportagem · íntegra examinada · consultada em 25/10/2026
Limitações: Mensagem de Stokes lida em tradução para o português na reportagem; tradução não conferida. Segundo a reportagem, mensagens sem nome do autor vêm do celular de Marcelo Miller.
A Agência Pública/Intercept conclui que, como a cooperação internacional não é regulada por lei nacional, os membros da Lava Jato 'exploraram zonas cinzentas' que permitiram aos americanos avançar nas investigações, 'escondendo esse fato do governo federal'; segundo a reportagem, Dallagnol pediu que os nomes dos americanos não fossem entregues ao Ministério da Justiça e Aras acabou cedendo. É a leitura da reportagem, contestada pela força-tarefa e por Vladimir Aras (fonte).
Trecho: “escondendo esse fato do governo federal”
Fonte: Como a Lava Jato escondeu do governo federal visita do FBI e procuradores americanos — Agência Pública / The Intercept Brasil, 12/03/2020 · parágrafos iniciais e seção 'Escondendo os americanos' · abrir original ↗
Reportagem · íntegra examinada · consultada em 25/10/2026
Limitações: Conclusão do veículo, não decisão judicial. A qualificação de irregularidade é contestada pela força-tarefa.
Resposta da força-tarefa de Curitiba às perguntas da Pública, publicada na reportagem: contatos informais e diretos antes de pedido formal são legais; a formalização é exigida para diligências de cunho probatório; reuniões com autoridades estrangeiras não precisam de formalização via DRCI, só de autorização interna; colaboradores procuraram diretamente autoridades estrangeiras, o que o MPF incentivou; o governo federal é um canal, não a autoridade responsável, e não há dever de compartilhar toda a investigação. A força-tarefa disse não ter recebido os dados das visitas nem o documento citado. Vladimir Aras, por nota, disse que as reuniões prévias integram a etapa 'pré-MLAT' e que o MP e a Polícia não estão obrigados a reportá-las ao Executivo. Ricardo Saadi (ex-DRCI) afirmou que o contato informal e direto entre autoridades é permitido e que seu e-mail visava disponibilizar o DRCI. O DOJ disse que não comentaria a reportagem.
Fonte: Como a Lava Jato escondeu do governo federal visita do FBI e procuradores americanos — Agência Pública / The Intercept Brasil, 12/03/2020 · trechos 'Procurada pela Pública...', notas de Aras e Saadi, e seção 'Respostas da Lava-Jato' · abrir original ↗
Reportagem · íntegra examinada · consultada em 25/10/2026
Limitações: Resposta institucional da força-tarefa, não assinada por Dallagnol. Não há nessa reportagem declaração própria dele sobre a visita. Relacionado (não duplicado): Acordos de leniência e cooperação internacional informal e fonte.
Segundo a Pública, em 30/11/2015 Dallagnol avisou Aras que os americanos já 'estão ouvindo colaboradores', disse que a força-tarefa não tinha controle sobre as oitivas e explicou a pressa: com o DOJ já reunido formalmente com os advogados dos colaboradores, a força-tarefa perderia força para negociar a divisão do dinheiro que os americanos recuperassem. Aras reagiu com alarme à possibilidade de viagens sem salvo-conduto e levou o tema a Janot. Em 17/12/2015, segundo a reportagem, Dallagnol disse a Aras que, durante a visita, a equipe estava 'operando no automático', sem conhecer a dimensão das consequências.
Fonte: Como a Lava Jato escondeu do governo federal visita do FBI e procuradores americanos — Agência Pública / The Intercept Brasil, 12/03/2020 · seção 'EUA estão com faca e queijo na mão' e sequência · abrir original ↗
Reportagem · íntegra examinada · consultada em 25/10/2026
Limitações: Mensagens atribuídas por reportagem; ver declarações.
Segundo a Pública (2020), em julho de 2016 nova comitiva do DOJ, desta vez com MLAT, ouviu no Rio (13–15/07) Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa e, em Curitiba (14–21/07), entre outros, Alberto Youssef, Rafael Ângulo Lopez e Agosthilde Mônaco de Carvalho; participaram da comitiva, pelo documento de programação descrito, Lance Jasper e Carlos Costa Rodrigues (SEC), os procuradores do DOJ Kevin Gringas, Hector Bladuell, Davis Last, Gustavo Ruiz e Christopher Cestaro, intérpretes e agentes do FBI. No último dia, segundo a reportagem, a comitiva reuniu-se das 10h às 17h com Dallagnol, Martello, Galvão, Pozzobon e Marcelo Miller para discutir o caso Odebrecht.
Fonte: Como a Lava Jato escondeu do governo federal visita do FBI e procuradores americanos — Agência Pública / The Intercept Brasil, 12/03/2020 · seções 'Em 2016, procuradores do DOJ questionaram...' e 'Refinaria de Pasadena na mira' · abrir original ↗
Reportagem · íntegra examinada · consultada em 25/10/2026
Limitações: Documento de programação não examinado. 'Roberto Pozzobon' no texto é provável erro da fonte para Roberson Pozzobon. Nomes do DOJ como grafados pela reportagem. Dallagnol é nomeado como participante apenas da reunião sobre a Odebrecht. A data exata dessa reunião é 'último dia' dentro de 14–21/07; assumimos 21/07 pelo intervalo informado.

