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O custo para o Brasil · estudo

Lessons of Operation Car Wash — capítulo 2: Anticorruption Policies in Brazil and the Operation Car Wash: Institutional and Economic Analysis

Autoria
Ligia Maura Costa, Maria Lucia L. M. Padua Lima, Paulo C. Goldschmidt
Instituição
Fundação Getulio Vargas
Obra coletiva do Brazil Institute (Wilson Center, Washington), organizada por Fabio Ramazzini Bechara e Paulo C. Goldschmidt e hospedada pela FGV Direito SP. O prefácio enfatiza o dano da corrupção sistêmica; os capítulos também examinam aspectos legais controversos da operação.
Ano
2020
Período analisado
2014–2018 (resultados da Petrobras), 2010–2016 (Sete Brasil)
Documento
Lessons of Operation Car Wash: A legal, institutional, and economic analysis (cap. 2, Costa, Lima e Goldschmidt) · original ↗

Método

Análise contábil dos resultados da Petrobras (impairments) e estudo de dois casos (Sete Brasil e Comperj), com revisão da literatura sobre custos da corrupção.

Resultados

Propina reconhecida pela Sete BrasilUS$ 224,0 milhõesfonte
Dívida estimada da Sete Brasil ao pedir recuperação judicialUS$ 5,00 bilhõesfonte

Resultados de estudo são estimativas do modelo dos autores, não medições.

Pressupostos

  • A corrupção sistêmica prejudica o crescimento no longo prazo.

Limitações

  • Os autores afirmam não ser possível saber quanto das baixas contábeis da Petrobras decorre de corrupção, de más decisões ou de mercado.
  • Descreve a conclusão da força-tarefa sobre a Sete Brasil como acusação; não é decisão judicial.

Divergências e outros estudos

Oferece o contraponto institucional ao DIEESE: atribui a perda de empregos navais à corrupção na Sete Brasil. O DIEESE e as consultorias atribuem à operação.

Evidências extraídas

O capítulo 2 do livro do Wilson Center (2020) descreve que a força-tarefa concluiu que dois diretores da Petrobras e o tesoureiro do PT combinaram propina equivalente a 0,9% dos contratos intermediados pela Sete Brasil, com preços 11% a 24% acima de licitações semelhantes, e que a Sete Brasil reconheceu oficialmente propinas de US$ 224 milhões; o orçamento das sondas era estimado entre US$ 22 e 25 bilhões.

AcusaçãoAlegação

Estudo (primária) · trecho examinado · consultada em 24/10/2026

Limitações: Os autores descrevem a conclusão da força-tarefa (acusação do MPF) e a admissão da própria Sete Brasil; não é decisão judicial. Os autores são favoráveis à tese de que a corrupção causou os prejuízos.

O mesmo capítulo afirma que a corrupção em Petrobras e fornecedores, agravada pela queda do petróleo em 2015, levou a Sete Brasil a pedir recuperação judicial no final de abril de 2016, com dívida estimada em cerca de US$ 5 bilhões, dois terços com o governo federal por bancos e fundos públicos (Banco do Brasil US$ 1 bi; Fundo de Garantia da Construção Naval US$ 1,3 bi; FI-FGTS US$ 0,7 bi; Caixa US$ 0,5 bi); em abril de 2016, o grau de conclusão dos contratos variava de 4,78% a 89,96% por sonda (Tabela 7).

Estimativa de estudoFonte única

Estudo (primária) · trecho examinado · consultada em 24/10/2026

Limitações: Valores em dólares estimados pelos autores, sem fonte primária citada no trecho lido. Compare com as dívidas em reais citadas por reportagens (R$ 17,4 bi em 2019, R$ 36 bi em 2024).

O mesmo capítulo registra, citando o Sinaval, que os empregos diretos da indústria naval, acima de 82 mil em 2014, caíram para cerca de 50 mil no primeiro trimestre de 2016, e atribui a interrupção dos contratos da Sete Brasil efeito devastador sobre o setor.

Estimativa de estudoFonte única

Estudo (primária) · trecho examinado · consultada em 24/10/2026

Limitações: O valor de 50 mil não coincide com as séries do Sinaval reproduzidas pelo Brasil de Fato (57.048 em 2015 e 43.745 em jun/2016); data-base diferente.

Os autores do capítulo 2 escrevem que sem as baixas de ativos (impairments) a Petrobras não teria tido resultado negativo entre 2014 e 2018, que as razões declaradas pela empresa para as baixas na área de E&P (queda do petróleo, câmbio, taxa de desconto, ociosidade de sondas, incertezas na construção de navios, desmobilização de plataformas) são adequadas, e que nunca se saberá quanto das baixas é atribuível a corrupção, a más decisões de gestão ou a condições de mercado.

Estimativa de estudoFonte única

Estudo (primária) · trecho examinado · consultada em 24/10/2026

Limitações: Paráfrase do trecho em inglês ('we will never know how much of the impairments could be attributable...'); útil como declaração de limite da identificação por autores favoráveis à operação.