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LAVAJATO.ORGrecuperado × custo

O custo para o Brasil · estudo

The Real Costs of Washing Away Corruption: Evidence from Brazil's Lava Jato Investigation

Autoria
Claudio Ferraz (UBC, PUC-Rio, NBER), Luiz C. Moura (UFRJ), Lars Norden (FGV EBAPE), Ricardo Schechtman (Banco Central do Brasil)
Instituição
National Bureau of Economic Research (NBER)
Working paper do National Bureau of Economic Research (EUA), sem revisão por pares na data; os autores declaram que as opiniões não refletem as do Banco Central, da FGV ou do NBER.
Ano
2025
Período analisado
2011–2016 (RAIS 2012–2016; crédito 2011T1–2016T2)
Documento
The Real Costs of Washing Away Corruption: Evidence from Brazil's Lava Jato Investigation · original ↗

Método

Diferença em diferenças com dados pareados empresa-banco (RAIS, registro de crédito do Banco Central, dados do MPF e do TSE); 21 construtoras investigadas contra grandes empresas de controle (>250 empregados); controle sintético e amostra pareada como robustez; efeito indireto via exposição de 44 bancos privados.

Resultados

Queda da massa salarial das investigadas-63 pct_massa_salarialfonte
Queda do emprego das investigadas-54 pct_empregofonte
Queda do volume de novos empréstimos às investigadas-50 pct_creditofonte
Redução agregada do crédito novo às não investigadas, nível da firma-18 pct_creditofonte
Queda da massa salarial das não investigadas mais expostas-12 pct_massa_salarialfonte
Queda do emprego das não investigadas mais expostas-10 pct_empregofonte

Resultados de estudo são estimativas do modelo dos autores, não medições.

Pressupostos

  • Tratamento é o início das investigações (2014).
  • Tendências paralelas antes de 2014 (suportado pelo estudo de eventos).

Limitações

  • Mede os efeitos sobre empresas de grande porte; amostra termina em meados de 2016.
  • O efeito sobre as investigadas inclui a perda de contratos públicos e a recessão do setor de construção.
  • Não converte os efeitos em PIB, nem separa os custos da corrupção dos da forma de condução da operação.
  • Efeito indireto é relativo (empresas mais expostas versus menos expostas), não efeito agregado total.

Divergências e outros estudos

Evidência microeconômica robusta de custo real para as empresas investigadas e por contágio bancário, mas não permite somar a uma estimativa de PIB. Literatura citada pelo próprio paper (Colonnelli e Prem, 2022) encontra efeitos positivos de auditorias anticorrupção sobre a atividade em municípios.

Evidências extraídas

Ferraz, Moura, Norden e Schechtman (NBER, julho de 2025), usando diferença em diferenças com dados da RAIS e do registro de crédito do Banco Central, estimaram que as 21 construtoras investigadas tiveram queda de 63% na massa salarial e de 54% no emprego após o início das investigações, em comparação com empresas de controle com mais de 250 empregados; o volume de novos empréstimos a elas caiu 50%.

Estimativa de estudoEstimativa

Estudo (primária) · íntegra examinada · consultada em 24/10/2026

Limitações: Working paper (não revisado por pares na data), amostra de grandes empresas até meados de 2016. Mede o efeito sobre as empresas investigadas do conjunto 'investigação, perda de acesso a contratos públicos e crédito, recessão'; o próprio texto observa que a perda de contratos públicos ocorreu junto com o colapso da construção e a recessão 2015–2016. Não mede o efeito sobre o PIB.

O mesmo estudo estimou que bancos privados com maior exposição prévia às empresas investigadas reduziram o crédito novo a empresas não investigadas (efeito agregado de -18% no crédito novo no nível da firma) e que empresas não investigadas mais expostas pela relação bancária reduziram a massa salarial em 12% e o emprego em 10% após o início das investigações.

Estimativa de estudoEstimativa

Estudo (primária) · íntegra examinada · consultada em 24/10/2026

Limitações: Efeito relativo entre empresas mais e menos expostas, não efeito total sobre a economia; amostra de grandes empresas (>250 empregados); bancos públicos fora da análise principal.

Entre as 21 construtoras investigadas que formam o grupo de tratamento do estudo do NBER, duas faliram (GDK e Schahin) e doze entraram em recuperação judicial durante ou depois do período da amostra; em apenas sete delas os principais executivos não foram presos ou procurados pela Polícia Federal, e todas foram excluídas de negócios com o governo (Szerman, 2023, citado).

Estimativa de estudoFonte única

Estudo (primária) · íntegra examinada · consultada em 24/10/2026

Limitações: Contagem do estudo, apoiada em Campos et al. (2021), Netto (2016) e Gonzalez-Ocantos et al. (2023); a lista das 21 empresas não foi conferida nesta versão do acervo.

O estudo do NBER descreve a Lava Jato como investigação que resultou em mais de 360 condenações, quase 400 acordos de colaboração e cerca de 30 acordos de leniência de empresas, e afirma que os réus pagaram cerca de US$ 3 bilhões em multas, penalidades e restituição voluntária (citando Da Ros e Taylor, 2022).

Estimativa de estudoFonte única

Estudo (primária) · íntegra examinada · consultada em 24/10/2026

Limitações: Contexto de terceiros (Da Ros e Taylor, 2022); os valores de recuperação devem ser conferidos em outra ficha do acervo com documentos do MPF, CGU e AGU.