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Comparações · Mudança de posição

Moro: "jamais" na política (2016) × ministro de Bolsonaro (2018)

O autor passou a defender ou fazer o que antes rejeitava.

O que disse

“Não, jamais. Jamais. Sou um homem de Justiça e, sem qualquer demérito, não sou um homem da política. Acho que a política é uma atividade importante, não tem nenhum demérito, muito pelo contrário, existe muito mérito em quem atua na política, mas eu sou um juiz, eu estou em outra realidade, outro tipo de trabalho, outro perfil. Então, não existe jamais esse risco”

Sergio Moro, 5 de novembro de 2016 · Entrevista · O Estado de S. Paulo · contexto e fonte

O que aconteceu depois

  • 1º de novembro de 2018. Moro divulgou nota aceitando o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro para ser ministro da Justiça e da Segurança Pública.
    “Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Segurança Pública na próxima gestão. Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite. Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura. No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito à Constituição, à lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão. Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior. A Operação Lava Jato seguirá em Curitiba com os valorosos juízes locais. De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências. Na próxima semana, concederei entrevista coletiva com maiores detalhes.” fonte
    fonte
  • 6 de novembro de 2018. Na primeira coletiva, disse que não contrariou a afirmação e que não tinha pretensão de concorrer a cargos eletivos.
    “Muitas pessoas foram presas lá. Até mais do que aqui. Mas a expectativa é de que fosse diminuída a corrupção – o que não se confirmou. Achei que havia essa possibilidade aqui. Não contrariei aquela minha afirmação de que ‘jamais entraria na política’. Na minha perspectiva, sigo atuando em uma função técnica. Um trabalho técnico. Sou um juiz a cargo desse ministério específico. Não tenho nenhuma pretensão de concorrer a cargos eletivos, subir em um palanque. Agora, haverá dialogo com o Congresso, claro, e isso é, de certa maneira, a realização de política. Mas não é a minha visão do cargo” fonte

Como explicou

“Muitas pessoas foram presas lá. Até mais do que aqui. Mas a expectativa é de que fosse diminuída a corrupção – o que não se confirmou. Achei que havia essa possibilidade aqui. Não contrariei aquela minha afirmação de que ‘jamais entraria na política’. Na minha perspectiva, sigo atuando em uma função técnica. Um trabalho técnico. Sou um juiz a cargo desse ministério específico. Não tenho nenhuma pretensão de concorrer a cargos eletivos, subir em um palanque. Agora, haverá dialogo com o Congresso, claro, e isso é, de certa maneira, a realização de política. Mas não é a minha visão do cargo”

Sergio Moro, 6 de novembro de 2018 · contexto e fonte

“Eu acabei assumindo e sei que é uma visão controvertida que gerou críticas de parte da imprensa, até de veículos internacionais. Tomei a decisão que me pareceu melhor para buscar a consolidação dos avanços que tivemos. Não podemos correr o risco de retrocesso”

Sergio Moro, 6 de novembro de 2018 · contexto e fonte

“Naquele momento, o que vimos foi um Brasil vencendo a corrupção. Estávamos virando o jogo. Estava focado no meu trabalho e acreditava que o jogo iria virar”

Sergio Moro, 17 de novembro de 2021 · contexto e fonte

“Não faltei com a verdade naquele momento, mas o contexto mudou completamente”

Sergio Moro, 17 de novembro de 2021 · contexto e fonte

Nota

A pergunta de 2016 era se Moro sairia candidato ou entraria na política; ele respondeu "jamais". Em 2018 aceitou um ministério de Estado, cargo nomeado por presidente eleito de campo oposto ao do réu que condenara. Não há duas frases literais que se neguem: Moro sustentou que o ministério era "função técnica". Classificado como mudança de posição, com explicação dele em 2018 e, depois, em 2021.

Fontes dos acontecimentos

Em 1º de novembro de 2018, o juiz federal Sergio Moro divulgou nota informando que aceitou o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro para ser ministro da Justiça e da Segurança Pública.

ReportagemVárias fontes independentes

Reportagem · íntegra examinada · consultada em 24/10/2026

Limitações: O original da nota não foi aberto; a íntegra foi lida na Jovem Pan.